Dicas para construir uma relação de confiança com seu filho

Uma criança que sente que pode confiar nos seus pais, com o tempo, passa a assimilar a segurança que essa relação proporciona, ou seja, ela experimenta a sensação de segurança e confiança dentro de si. Construir uma relação de confiança com seu filho, portanto, é o principal cuidado para ajudá-lo a se tornar uma criança segura!! Confira algumas dicas sobre como construir uma relação de confiança com seu filho para estimular que ele possa usufruir dessa sensação tão importante!!

Quando seu filho estiver “tomado” por uma emoção, chorando ou gritando, por exemplo, com muita intensidade, antes de criticá-lo, tente acalmá-lo.
Esse cuidado é importante por dois motivos. Primeiro porque quando a criança esta vivendo uma emoção com muita intensidade, nada do que os pais disserem será assimilado por ela. Ou seja, o momento em que a criança perde o controle das suas ações não é o momento ideal para lhe transmitir valores ou a necessidade de obedecer às regras. Isso só vai ser possível depois que ela se acalmar.  E o segundo motivo é que a criança percebe que perdeu o controle das suas emoções e que está agindo de maneira impulsiva. Mesmo que ela não consiga pedir, nessas situações, ela anseia que alguém consiga ajudá-la a voltar a se sentir bem. Quando os pais conseguem deixar a frustração e irritação que o comportamento da criança pode provocar de lado e empatizam com o sofrimento da criança, oferecendo o apoio necessário para que ela se acalme, com o tempo, eles passam a ser vistos pela criança como alguém com quem “podem contar” nas situações em que precisam de ajuda. Ou seja, a criança não se sente sozinha, ela sabe que tem companhia para enfrentar seus problemas, lidar com seus sentimentos e compartilhar suas experiências!



Esteja presente (física e emocionalmente) na relação com seu filho!!
Não dá para a criança sentir que pode confiar nos seus pais, se eles nunca estão por perto ou se estão sempre distraídos quando ela tenta conversar com eles. Para a confiança ficar cada vez mais fortalecida na relação, a criança precisa tanto de uma dedicação de tempo dos seus pais quanto de dedicação afetiva, ou uma presença “inteira” sem distrações. Isso quer dizer que é importante dedicar um momento do dia para ficar junto com a criança, ao lado dela, assistindo televisão ou fazendo uma refeição juntos, pois estes são momentos em que a criança pode compartilhar algo que seja importante. Nesses momentos, é importante deixar o ipad e celular de lado e olhar para a criança quando ela fala. A escuta atenta ao que a criança tem a dizer pode ser benéfica também para os pais. Nessas interações, eles podem esquecer um pouco os problemas do dia a dia. A relação com as crianças tem esse poder!!
Quando os pais precisam trabalhar muito e o tempo disponível para o filho é escasso uma boa sugestão pode ser pensar junto com ela em um passeio simples como ir até a padaria, ou dar uma volta no quarteirão com o cachorro que possa ser feito com uma frequência semanal, por exemplo, para que a criança entenda que terá oportunidade de recorrer alguém que lhe ofereça uma presença atenta e afetiva quando necessário.
Inclua (não quer dizer que precisa atender) e respeite as necessidades, desejos e sentimentos da criança nas decisões familiares.
Esse cuidado vale para todas as idades. Se os pais decidem organizar uma viagem só para eles e deixam os filhos por alguns dias na casa dos avós, por exemplo; é importante compartilhar essa decisão com a criança, seja qual for a sua idade. Desde muito cedo, as crianças tem a capacidade de entender o que lhes é dito. Esse cuidado é importante não só para que elas se sintam seguras nesses momentos em que os pais saem, sabendo que é uma situação temporária, como também para fortalecer a confiança na relação. Para entender porque esse cuidado é importante, tente se colocar no lugar de uma criança quando os pais a levam para a casa dos avós e não voltam para buscá-la. Passam-se dias e a criança, por não saber o que aconteceu, pode fantasiar que foi abandonada, que fez algo errado… Com o tempo, se essas situações se repetem, a confiança na relação pode ficar prejudicada.
No dia a dia, esse cuidado também é necessário, mesmo que não seja possível atender o que a criança deseja, como quando ela diz que quer voltar para casa porque esta cansada e os pais gostariam de continuar o passeio, por exemplo. É importante ouvir e respeitar a sensação da criança, propondo um combinado e dizendo que entende o cansaço da criança. Nesses casos, além da criança aprender a esperar para ter seu desejo atendido, a relação também sai fortalecida, pela experiência de respeito que a criança vivencia na companhia dos seus pais.

Quando as crianças vivem demais no mundo imaginário e de faz de conta


Quando uma criança usa a sua imaginação para brincar, ela não está apenas empurrando um carrinho ou segurando uma boneca. Se essa fosse a sua experiência, a diversão seria muito restrita e o tédio predominaria nas suas interações. A imaginação da criança é o que permite que ela consiga enxergar além do carrinho e da boneca para criar histórias e vivê-las quase como se estivessem acontecendo de verdade. Essa capacidade é o que dá sentido para o que a criança está fazendo e permite que ela possa se divertir nas suas interações com os amigos ou mesmo sozinha. Porém, algumas crianças parecem que perdem a consciência do “quase”, pois vivem as brincadeiras com muita intensidade.
Sem essa consciência, a criança se entrega por inteiro ao mundo da imaginação e vive as histórias que cria como se estivessem acontecendo de verdade ao se fantasiar de princesa e super herói, por exemplo. Como um menino, fantasiado de super herói, que acredita que pode realmente voar. É possível que ele corra um risco maior de se machucar nas suas brincadeiras do que as crianças que mantêm a consciência sobre os limites da realidade. Ou ainda, uma criança que cria uma relação com um amigo imaginário e dedica a essa relação a mesma energia que dedica às outras pessoas. Com o tempo, o interesse da criança em interagir com os amigos pode ficar comprometido e ela pode vir a assumir uma postura de isolamento. Dessa forma, a ausência de discriminação entre imaginação e realidade pode influenciar no dia a dia e no desenvolvimento da criança. Por isso, quando a criança se entrega a sua imaginação com muita intensidade e de maneira recorrente é importante parar para refletir qual o sentido da fantasia na sua experiência.  
Pensando dessa forma, o movimento que a criança realiza em direção ao mundo da fantasia pode ser uma tentativa de encontrar um refúgio da realidade no mundo de faz de conta. Isso pode acontecer quando a criança não encontra espaço nas suas relações para expressar seus sentimentos e opiniões. Seja pelos valores pessoais de alguns pais que acreditam que “criança não tem que querer, tem que obedecer”. Ou por um ambiente de muita instabilidade, no qual os cuidadores estãoabsorvidos pelos seus problemas, em constante sofrimento e com pouca disponibilidade para a relação com a criança. Nesses contextos, a criança não encontra espaço para se desenvolver nessas relações e a fantasia pode ser um refúgio, que de certo modo, a protege, das críticas e do sofrimento das pessoas que estão ao seu redor.
            Por isso, quando os pais percebem que a criança “mergulha” por inteiro nas suas brincadeiras de maneira recorrente, sem conseguir identificar os limites da realidade é importante ressaltar para a criança quais são esses limites, como o risco de cair ao tentar “voar” de um lugar alto, por exemplo. No entanto, mais importante do que agir nos momentos das brincadeiras apontando os limites é transformar a maneira de se relacionar com a criança no dia a dia, oferecendo mais espaço para ela na relação que vem sendo construída. Pensar em maneiras de deixar os problemas de lado para conseguir se manter presente nas interações do dia a dia ou tentar incluir a criança nos diálogos familiares podem ser cuidados que abrem espaço para a criança poder ocupar seu lugar no mundo real. Aos poucos, quando isso acontece, o mundo do faz de conta deixa de ser um refúgio e pode se transformar em um lugar no qual é possível se divertir junto com as outras pessoas. 

Ser o líder da turma. É bom ou ruim?

Alguns pais e algumas mães quando observam seu filho pequeno brincando com outras crianças podem perceber que ele demonstra iniciativa para propor brincadeiras e expressar seus desejos e vontades de maneira assertiva. Nessas situações é bem comum que alguns pais tenham uma experiência conflitante. De um lado, sentem orgulho pela expectativa de que essas atitudes possam ser um sinal de que seu filho começa a exercer certa liderança entre os amigos. Por outro lado, a criança que demonstra muita iniciativa e que se expressa de maneira assertiva, com frequência também pode deixar seus pais preocupados, já que eles costumam ficar em dúvida se esses comportamentos são mesmo sinais de liderança ou se indicam que a criança tenta impor seus desejos de maneia autoritária.
Para lidar com essa dúvida, o primeiro passo é tentar identificar se a assertividade e iniciativa da criança são sinais de liderança ou de autoritarismo. Isso porque a liderança pode e deve ser incentivada enquanto que o autoritarismo revela a necessidade de cuidados para que a criança não venha a enfrentar dificuldades de relacionamento com as outras crianças. 

Qual a diferença entre liderança e autoritarismo?
É comum dizer que uma criança considerada líder é uma criança carismática. Mesmo agindo espontaneamente, ou seja, sem realizar um esforço intencional para agradar os outros, ela é querida e respeitada pelas pessoas com quem se relaciona. Isso, muitas vezes acontece, porque a criança que é a líder da turma costuma ser criativa, afetiva e tenta naturalmente incluir as necessidades e desejos dos outros nas atividades que propõe. As outras crianças, como consequência, querem ficar próximas porque se sentem respeitadas. Além de se divertirem na sua companhia.
Por outro lado, uma criança que se impõe no grupo com autoritarismo pode até encontrar amigos que se submetem às suas imposições e se relacionar com eles com uma aparente liderança, mas estas são relações nas quais as trocas ficam restritas porque a criança que adota uma postura mais submissa não aprende a dar voz para as suas vontades. Enquanto que a criança autoritária não aprende a lidar com as diferenças. Além disso, a criança autoritária pode permanecer com um grupo restrito de amizade, já que muitas crianças podem não querer se ajustar às suas imposições. Por isso, um critério importante para discriminar se a criança exerce uma liderança espontânea na sua turma de amigos ou se age de maneira autoritária com eles é prestar atenção se ela entra em conflitos com frequência ou se ela se sente rejeitada de maneira recorrente.
  
Como incentivar a liderança da criança e como cuidar do autoritarismo da criança?
A criança que é líder da turma geralmente aprende a se relacionar de maneira inclusiva e afetiva na relação com as pessoas que cuidam dela desde cedo. E desenvolve sua capacidade de brincar de maneira criativa quando encontra abertura na relação com essas pessoas para agir de maneira espontânea, sem precisar ficar “pisando em ovos”, com medo de errar. Com o tempo, ela assimila esse modo de se relacionar e passa a agir dessa maneira com os seus amigos. Desse modo, a liderança emerge naturalmente já que é uma consequência do seu modo de ser e de brincar com os amigos. Por isso, a melhor maneira de incentivar os comportamentos de liderança da criança é preservar a qualidade da relação que vem sendo construída com ela.
Por outro lado, quando os pais identificam que a criança é autoritária é preciso refletir sobre a maneira como se relacionam com ela. Os pais são os responsáveis pela segurança e bem estar da criança e por isso, precisam ocupar um lugar de autoridade na relação com seus filhos. Isso quer dizer que muitas vezes, a criança não poderá fazer o que deseja e terá que se ajustar as decisões dos seus pais. O grande desafio é conseguir exercer a autoridade de maneira inclusiva, fazendo com que a criança se sinta ouvida e perceba que sua opinião pode muitas vezes não ser atendida, mas é respeitada. Esse equilíbrio é mesmo difícil de ser alcançado na relação com a criança e muitas vezes, pode ser comprometido quando os pais adotam duas posturas aparentemente opostas em relação ao seu papel de autoridade: ou o exercem com uma postura de autoritarismo ou de permissividade.
Pais que se relacionam com autoritarismo costumam impor suas decisões a criança sem que ela tenha abertura para expressar seus sentimentos, opiniões e desejos. Nesse contexto, a postura não inclusiva que alguns pais adotam leva a criança a experiências recorrentes de submissão. Com o tempo, a criança pode assimilar essa maneira de se relacionar e pode oscilar na relação com seus amigos, ora se coloca em uma posição de submissão e ora tenta impor suas vontades. Enquanto que os pais que são permissivos levam a criança a assimilar uma maneira de se relacionar na qual os seus desejos são sempre atendidos. Na relação com os amigos, a criança cria a mesma expectativa e fica muito frustrada quando esta não se concretiza e os amigos se opõe ao que ela deseja. Desse modo, os pais permissivos mesmo atendendo todos os desejos do seu filho também não oferecem à criança a experiência de usufruir de uma relação de segurança (proporcionada pela autoridade) inclusiva.

Assim, em muitos casos, a criança que age de maneira autoritária na relação com os amigos ou com seus pais esta comunicando um anseio. As crianças que tentam impor a sua vontade e se mostram muito frustradas quando não são atendidas geralmente anseiam usufruir de uma relação de confiança na qual os seus sentimentos, pensamentos e opiniões sejam incluídos e respeitados. E o caminho possível para os pais talvez seja ocupar com segurança seu papel de autoridade, mas não se privar da abertura para o diálogo com seus filhos.