Dicas para tentar acalmar uma criança quando ela estiver chorando com muita intensidade

Com frequência, eu comento nos meus textos sobre a importância de conseguir fazer com que a criança volte a se sentir bem quando ela está chorando ou gritando com muita intensidade. Acalmar a criança é um cuidado muito importante que, entre outras coisas, ajuda na construção de uma relação de confiança entre pais e filhos, já que a criança entende, com o tempo, que aquelas pessoas podem ajudá-la a atravessar seu mal estar e voltar a se sentir bem.
Porém, saber da importância de acalmar a criança nem sempre é suficiente. No dia a dia, quando os filhos perdem o controle das suas emoções e começam a chorar ou a gritar, mesmo que venha em mente a intenção de ajudá-los a se acalmar, muitos pais podem ficar paralisados sem saber o que fazer para deixá-los mais tranquila. Por isso, pensei em descrever algumas dicas que podem servir como referências para os pais se sentirem mais seguros para agir nessas situações.


Tente identificar se a criança está ouvindo o que você diz e consegue se comunicar, ou se a emoção tomou conta dela ao ponto de impedir que ela assimile o que lhe é dito.
Essa discriminação é importante porque se a criança não consegue se abrir para o cuidado que os pais estão dispostos a oferecer é preciso, primeiro, ajudá-la a alcançar a abertura para o diálogo.  Para isso, pode ser útil falar com ela de maneira assertiva (que não é o mesmo de ser agressivo ou desrespeitoso) e dizer para que ela pare de chorar, respire fundo e tente se acalmar. Se abaixar e falar com firmeza essas palavras olhando nos olhos dela, também pode ser uma atitude que a ajuda a se abrir para o contato. Quando os pais percebem que ela está ouvindo, eles podem pedir para que ela conte o que aconteceu.

Quando a criança narra o que aconteceu, os pais podem ajudá-la a nomear o que está sentindo e a lidar com essa emoção.
Apesar da criança aparentemente estar mais calma, o mal estar só vai ser de fato superado se ela conseguir identificar o que esta sentindo e se puder fazer algo que traga algum alívio diante do contato com essa emoção. Por exemplo, se a criança contar que está chorando porque um amigo falou algo que ela não gostou; o simples fato de ajudá-la a dar um nome para a sua emoção, dizendo que ela deve estar triste ou decepcionada, possivelmente já promove uma sensação de alívio, porque a criança se sente compreendida.
Além disso, quando a emoção é nomeada, fica mais fácil ajudá-la a lidar com os seus sentimentos. Para isso, pode ser útil quando os pais se lembram dos momentos em que ficaram tristes com um amigo e compartilham com a criança o que fizeram para superar o seu mal estar. Essa troca favorece a empatia dos pais com a experiência da criança. Quando os pais se relacionam com o seu filho de maneira empática nesses momentos, eles podem pensar no cuidado que gostariam de receber se estivessem no lugar da criança e oferecer esse cuidado de maneira espontânea e afetiva.

 Assim, essas dicas são apenas referências de como agir porque é a empatia com a experiência da criança que leva os pais a oferecerem o cuidado que vai acalmá-la. Quando eles se colocam no lugar dela, sentem o que é preciso fazer para ajuda-la!

Grupo de estudos e supervisão de psicoterapia de crianças na abordagem gestática

Estou organizando para começar em agosto um grupo de estudos e supervisão sobre psicoterapia de crianças na abordagem gestáltica. 


O grupo é para psicólogos que atendam crianças e tenham interesse nessa abordagem!

A idéia é começar com a apresentação e supervisão dos casos dos participantes e, a partir dessa discussão, definir os temas que o grupo pretende estudar com mais profundidade.

O folder abaixo traz todas as informações. Quem tiver duvidas ou interesse em participar, entre em contato comigo pelo email: poppa.carla@gmail.com



Dicas para construir uma relação de confiança com seu filho

Uma criança que sente que pode confiar nos seus pais, com o tempo, passa a assimilar a segurança que essa relação proporciona, ou seja, ela experimenta a sensação de segurança e confiança dentro de si. Construir uma relação de confiança com seu filho, portanto, é o principal cuidado para ajudá-lo a se tornar uma criança segura!! Confira algumas dicas sobre como construir uma relação de confiança com seu filho para estimular que ele possa usufruir dessa sensação tão importante!!

Quando seu filho estiver “tomado” por uma emoção, chorando ou gritando, por exemplo, com muita intensidade, antes de criticá-lo, tente acalmá-lo.
Esse cuidado é importante por dois motivos. Primeiro porque quando a criança esta vivendo uma emoção com muita intensidade, nada do que os pais disserem será assimilado por ela. Ou seja, o momento em que a criança perde o controle das suas ações não é o momento ideal para lhe transmitir valores ou a necessidade de obedecer às regras. Isso só vai ser possível depois que ela se acalmar.  E o segundo motivo é que a criança percebe que perdeu o controle das suas emoções e que está agindo de maneira impulsiva. Mesmo que ela não consiga pedir, nessas situações, ela anseia que alguém consiga ajudá-la a voltar a se sentir bem. Quando os pais conseguem deixar a frustração e irritação que o comportamento da criança pode provocar de lado e empatizam com o sofrimento da criança, oferecendo o apoio necessário para que ela se acalme, com o tempo, eles passam a ser vistos pela criança como alguém com quem “podem contar” nas situações em que precisam de ajuda. Ou seja, a criança não se sente sozinha, ela sabe que tem companhia para enfrentar seus problemas, lidar com seus sentimentos e compartilhar suas experiências!



Esteja presente (física e emocionalmente) na relação com seu filho!!
Não dá para a criança sentir que pode confiar nos seus pais, se eles nunca estão por perto ou se estão sempre distraídos quando ela tenta conversar com eles. Para a confiança ficar cada vez mais fortalecida na relação, a criança precisa tanto de uma dedicação de tempo dos seus pais quanto de dedicação afetiva, ou uma presença “inteira” sem distrações. Isso quer dizer que é importante dedicar um momento do dia para ficar junto com a criança, ao lado dela, assistindo televisão ou fazendo uma refeição juntos, pois estes são momentos em que a criança pode compartilhar algo que seja importante. Nesses momentos, é importante deixar o ipad e celular de lado e olhar para a criança quando ela fala. A escuta atenta ao que a criança tem a dizer pode ser benéfica também para os pais. Nessas interações, eles podem esquecer um pouco os problemas do dia a dia. A relação com as crianças tem esse poder!!
Quando os pais precisam trabalhar muito e o tempo disponível para o filho é escasso uma boa sugestão pode ser pensar junto com ela em um passeio simples como ir até a padaria, ou dar uma volta no quarteirão com o cachorro que possa ser feito com uma frequência semanal, por exemplo, para que a criança entenda que terá oportunidade de recorrer alguém que lhe ofereça uma presença atenta e afetiva quando necessário.
Inclua (não quer dizer que precisa atender) e respeite as necessidades, desejos e sentimentos da criança nas decisões familiares.
Esse cuidado vale para todas as idades. Se os pais decidem organizar uma viagem só para eles e deixam os filhos por alguns dias na casa dos avós, por exemplo; é importante compartilhar essa decisão com a criança, seja qual for a sua idade. Desde muito cedo, as crianças tem a capacidade de entender o que lhes é dito. Esse cuidado é importante não só para que elas se sintam seguras nesses momentos em que os pais saem, sabendo que é uma situação temporária, como também para fortalecer a confiança na relação. Para entender porque esse cuidado é importante, tente se colocar no lugar de uma criança quando os pais a levam para a casa dos avós e não voltam para buscá-la. Passam-se dias e a criança, por não saber o que aconteceu, pode fantasiar que foi abandonada, que fez algo errado… Com o tempo, se essas situações se repetem, a confiança na relação pode ficar prejudicada.
No dia a dia, esse cuidado também é necessário, mesmo que não seja possível atender o que a criança deseja, como quando ela diz que quer voltar para casa porque esta cansada e os pais gostariam de continuar o passeio, por exemplo. É importante ouvir e respeitar a sensação da criança, propondo um combinado e dizendo que entende o cansaço da criança. Nesses casos, além da criança aprender a esperar para ter seu desejo atendido, a relação também sai fortalecida, pela experiência de respeito que a criança vivencia na companhia dos seus pais.