Como estimular o diálogo com o meu filho?


Estabelecer um diálogo com uma criança ou mesmo com um adulto não é algo tão simples quanto parece. Isso porque o diálogo é mais do que uma simples conversa, é a possibilidade de expressar as suas experiências de modo a mobilizar algum afeto na outra pessoa e, por meio dessa comunicação, se sentir acompanhado. Quando o diálogo acontece com frequência na relação dos pais com seus filhos, os benefícios são inúmeros. Muitos conflitos podem ser evitados, já que com a abertura para a experiência da criança é possível entender o ponto de vista dela. Além disso, a intimidade na relação pode se fortalecer, porque o diálogo permite que você conheça seu filho cada vez melhor ao saber não só o que acontece com ele, como também como ele se sente e como reage a esses sentimentos. E principalmente, com o diálogo, a criança tem a oportunidade de receber novas referências sobre como agir diante dos desafios que enfrenta no dia a dia. Assim, como é muito importante construir e preservar uma maneira de se comunicar com seus filhos, pensei em descrever algumas dicas de como o diálogo e a comunicação podem ser fortalecidos no dia a dia:

Tente se colocar no lugar do seu filho
Quando você perceber que seu filho está agitado, ou irritado, por exemplo, tente se colocar no lugar dele para entender o sentido do seu comportamento. Esses comportamentos geralmente revelam que a criança está em contato com alguma emoção que causa desconforto. E as crianças, muitas vezes, têm dificuldade para nomear o que estão sentindo sem ajuda de outra pessoa. Por isso, ao invés de reagir à agitação do seu filho com críticas, por exemplo, tente se colocar no lugar dele e pensar no que aconteceu durante o dia ou quais mudanças ele vem enfrentando nos últimos tempos. Com esse esforço, é possível identificar como você se sentiria no lugar dele se estivesse passando pela mesma situação. A partir da empatia, a abertura para o dialogo é alcançada!

Ajude a criança a narrar as suas experiências
 Quando você conseguir empatizar com a experiência da criança, em um momento mais tranquilo, tente começar uma conversa que não seja focada na agitação ou no “mau comportamento” do seu filho, mas nas possíveis emoções que você acredita que ele possa estar em contato no momento. Por exemplo, vamos supor que os pais sejam separados e, por algum motivo, a criança esteja sem ver o pai por um tempo maior do que o costume, ou tenha acabado de conhecer o novo namorado da mãe. Experimente comentar que você tem notado que ele parece um pouco irritado ultimamente e que você ficou pensando se ele não estaria incomodado com esses acontecimentos…. A partir dai, ouça atentamente o que se filho tem a dizer. Se ele confirma a sua impressão ou se compartilha outras emoções. Quando ele parecer mais aliviado, tente descrever o que ele te contou. Usando o mesmo exemplo, poderia ser algo como: pelo que você disse, parece que você esta sentindo falta do papai e ao mesmo tempo um pouco irritado por ele não conseguir vir te ver…. Quando alguém narra a experiência da criança para ela, parece que ela se sente mais organizada e pode assumir o controle das suas emoções ao invés de se manter em um estado de confusão e refém do que sente!!

 Compartilhe com seu filho as suas próprias experiências
Assim, quando a criança tem ajuda ou consegue narrar suas experiências por conta própria, o diálogo passa a ser um momento em que ela pode assimilar novas referências sobre como agir em diferentes situações da vida. Para isso, tente se abrir e compartilhar com ela as suas próprias experiências. Pensando no exemplo anterior, mesmo que seus pais não tenham se separado e você não tido essa experiência para contar ao seu filho. Pode ser útil se você se lembrar do que costuma te deixar irritado ou com saudades e como lida com essas emoções. Ou ainda, compartilhar os acontecimentos do seu dia, as dificuldades e as conquistas. Assim, a criança, aos poucos, assimila referências de comportamentos, de atitudes que levam a superação de diferentes problemas. Essas referências vão, no futuro, funcionar como pontos de apoio, aos quais a criança pode recorrer sempre que enfrentar uma situação semelhante.  

Dicas para tentar acalmar uma criança quando ela estiver chorando com muita intensidade

Com frequência, eu comento nos meus textos sobre a importância de conseguir fazer com que a criança volte a se sentir bem quando ela está chorando ou gritando com muita intensidade. Acalmar a criança é um cuidado muito importante que, entre outras coisas, ajuda na construção de uma relação de confiança entre pais e filhos, já que a criança entende, com o tempo, que aquelas pessoas podem ajudá-la a atravessar seu mal estar e voltar a se sentir bem.
Porém, saber da importância de acalmar a criança nem sempre é suficiente. No dia a dia, quando os filhos perdem o controle das suas emoções e começam a chorar ou a gritar, mesmo que venha em mente a intenção de ajudá-los a se acalmar, muitos pais podem ficar paralisados sem saber o que fazer para deixá-los mais tranquila. Por isso, pensei em descrever algumas dicas que podem servir como referências para os pais se sentirem mais seguros para agir nessas situações.


Tente identificar se a criança está ouvindo o que você diz e consegue se comunicar, ou se a emoção tomou conta dela ao ponto de impedir que ela assimile o que lhe é dito.
Essa discriminação é importante porque se a criança não consegue se abrir para o cuidado que os pais estão dispostos a oferecer é preciso, primeiro, ajudá-la a alcançar a abertura para o diálogo.  Para isso, pode ser útil falar com ela de maneira assertiva (que não é o mesmo de ser agressivo ou desrespeitoso) e dizer para que ela pare de chorar, respire fundo e tente se acalmar. Se abaixar e falar com firmeza essas palavras olhando nos olhos dela, também pode ser uma atitude que a ajuda a se abrir para o contato. Quando os pais percebem que ela está ouvindo, eles podem pedir para que ela conte o que aconteceu.

Quando a criança narra o que aconteceu, os pais podem ajudá-la a nomear o que está sentindo e a lidar com essa emoção.
Apesar da criança aparentemente estar mais calma, o mal estar só vai ser de fato superado se ela conseguir identificar o que esta sentindo e se puder fazer algo que traga algum alívio diante do contato com essa emoção. Por exemplo, se a criança contar que está chorando porque um amigo falou algo que ela não gostou; o simples fato de ajudá-la a dar um nome para a sua emoção, dizendo que ela deve estar triste ou decepcionada, possivelmente já promove uma sensação de alívio, porque a criança se sente compreendida.
Além disso, quando a emoção é nomeada, fica mais fácil ajudá-la a lidar com os seus sentimentos. Para isso, pode ser útil quando os pais se lembram dos momentos em que ficaram tristes com um amigo e compartilham com a criança o que fizeram para superar o seu mal estar. Essa troca favorece a empatia dos pais com a experiência da criança. Quando os pais se relacionam com o seu filho de maneira empática nesses momentos, eles podem pensar no cuidado que gostariam de receber se estivessem no lugar da criança e oferecer esse cuidado de maneira espontânea e afetiva.

 Assim, essas dicas são apenas referências de como agir porque é a empatia com a experiência da criança que leva os pais a oferecerem o cuidado que vai acalmá-la. Quando eles se colocam no lugar dela, sentem o que é preciso fazer para ajuda-la!

Grupo de estudos e supervisão de psicoterapia de crianças na abordagem gestática

Estou organizando para começar em agosto um grupo de estudos e supervisão sobre psicoterapia de crianças na abordagem gestáltica. 


O grupo é para psicólogos que atendam crianças e tenham interesse nessa abordagem!

A idéia é começar com a apresentação e supervisão dos casos dos participantes e, a partir dessa discussão, definir os temas que o grupo pretende estudar com mais profundidade.

O folder abaixo traz todas as informações. Quem tiver duvidas ou interesse em participar, entre em contato comigo pelo email: poppa.carla@gmail.com