A vaidade infantil é saudável?

 

 

Muitos pais se preocupam quando seus filhos pequenos pedem para passar esmaltes coloridos ou maquiagem, por exemplo. Porém, na maioria das vezes, o esmalte e a maquiagem são percebidos pela criança como um brinquedo. Enxergar suas unhas, assim como o seu rosto com diferentes cores pode ser uma brincadeira divertida, tanto quanto fazer um desenho em um papel! Então, quando as crianças pedem para passar esmalte ou pintar o rosto com maquiagem, de vez em quando, a intenção delas, muito provavelmente, não é de realçar a sua beleza, mas apenas de brincar e de se divertir. Nesses casos, a vaidade não é ainda uma característica da criança, ela apenas esta fazendo uso dos objetos que os adultos geralmente usam para expressar sua vaidade de uma maneira diferente.

No entanto, em alguns casos, o uso desses objetos como a maquiagem, esmaltes, enfeites para o cabelo e roupas pode ser exagerado e interferir na rotina e nas relações da criança pequena. Ou seja, deixa de ser um uso eventual e se torna um hábito que interfere na rotina e nas suas relações (a criança só vai para escola se passar batom e enquanto não passar o batom fica muito agitada e ansiosa, por exemplo). Nesses casos, os pais e as pessoas que convivem com a criança podem acreditar que ela é uma criança vaidosa. No entanto, se a criança de fato não conseguir sair de casa sem a maquiagem, ou se a preocupação com a sua aparência se tornar prioritária e estiver presente em todas as suas atividades, estes comportamentos não devem ser interpretados apenas como uma característica (ela é muito vaidosa), já que estão limitando e tornando o seu dia a dia muito desgastante.

Em alguns casos, a preocupação excessiva com a própria aparência pode ser uma forma da criança tentar exercer algum controle diante de uma situação que lhe proporciona insegurança. As situações de indefinição, quando os pais não sabem se vão ficar juntos ou se separar, se vão mudar de cidade ou pais, por exemplo, podem proporcionar insegurança para a criança. Nesse contexto de indefinição, a criança se sente impotente e desloca a sua necessidade de controle para a própria aparência, o que lhe traz algum alívio. Quando o contexto de indefinição é passageiro, é provável que a necessidade de controle da criança também seja. No entanto, quando essa indefinição se estende ao longo do tempo, é possível que a criança passe a lidar com a sensação de insegurança dessa forma: quando se sente insegura, ela desloca a sua atenção para a sua aparência em busca da sensação de controle.

Essa dinâmica, se não for interrompida, pode ser levada para a vida adulta. Se na infância o problema que provocava insegurança provavelmente estava fora do seu controle e essa forma de encontrar alivio fazia sentido; na vida adulta, além de proporcionar um grande desgaste de energia, impede a adolescente ou a mulher de encarar o problema que lhe provoca insegurança e buscar uma solução efetiva.

Assim, se os cosméticos, enfeites e roupas são objetos de diversão é muito provável que na vida adulta a criança tenha uma relação leve e prazerosa com a própria aparência. Se, por outro lado, os cuidados com a própria aparência limitam o dia a dia da criança, ou se tornam prioritários para ela é importante buscar ajuda, tanto para identificar os fatores que podem provocar instabilidade na vida da criança como para ajuda-la a lidar com a sua insegurança de outras maneiras!

Grupo de Orientação de Mães

Para o ano que vem, estou organizando um grupo de orientação de mães!!
O grupo não tem uma faixa etária específica, mas é para mães de crianças (para mães de pré adolescentes e adolescentes pretendo organizar outro grupo em outra oportunidade) e a intenção é refletir sobre os conflitos e as dúvidas do dia a dia na educação dos filhos!!
Quem se interessar, é só entrar em contato comigo pelo e-mail: contato@carlapoppa.com.br que passo mais informações!

 

 

 

 

Cuidados com o filho adotivo

 

O vinculo que os pais constroem com um filho adotivo pode se tornar tão significativo quanto o vinculo que é construído com um filho biológico. Porém, como no caso da adoção, a criança chega na família com uma história de vida que não foi compartilhada com os pais, existem alguns cuidados específicos a esse processo que podem ajudar na construção do vínculo com a criança.

Quando a criança chega na família, é bem possível que ela já tenha vivido algumas experiências com seus pais biológicos, ou mesmo no abrigo no qual vivia antes da adoção. Nessas interações anteriores, a criança começou a desenvolver a sua maneira de se relacionar. A maneira de se relacionar pode ser expressa de forma sutil, como o tom de voz mais alto do que os pais costumam utilizar, ou uma forma mais firme de pegar os brinquedos ou objetos, por exemplo. E por mais que esses gestos possam chamar a atenção dos pais, é importante se manter tranquilo e ter em mente que essa maneira de se relacionar muda conforme as interações da criança se modificam e por isso, não devem ser entendidas como uma característica definitiva. Do contrário, quando os pais entendem que esses gestos indicam que o filho(a) é agressivo(a), por exemplo, é possível que esse olhar se torne presente nas interações que terão com  a criança e assim, essa transformação pode se tornar mais difícil. Nesses casos, como a maneira de se relacionar da criança esta impedida de se transformar, mesmo passando o tempo, é possível que a criança sinta que ela é muito diferente dos pais, o que promove uma distancia e dificulta a intimidade que é essencial para a construção de um vinculo de confiança entre pais e filhos.

Além de ter consciência de que a criança possivelmente terá uma maneira de se relacionar diferente para que seja possível responder aos seus gestos com tranquilidade; também é importante refletir sobre os sentimentos que a criança desperta. Alguns pais podem sentir pena ou ter a sensação de que estão “salvando” a criança de uma vida difícil. É importante identificar esses sentimentos ou crenças para que eles possam ser questionados e, assim, evitar que se relacione com a criança orientado pela expectativa de que ela sinta gratidão por ter sido adotada. Quando a crença de que a criança foi “salva” pelos pais se mantem presente na relação é possível que os pais, mesmo sem perceber, acabem colocando a criança em uma posição de devedora, o que pode provocar uma reação de raiva da criança; ou o oposto, a criança pode reprimir a sua espontaneidade e direcionar sua energia pela intenção de agradar os outros.

E ainda, outro cuidado importante é oferecer espaço para a criança perguntar e conversar sobre sua história de vida; sua família de origem e suas experiências anteriores à adoção. Esse espaço aparece na relação na medida em que a criança percebe a segurança e tranquilidade dos pais quando ela faz perguntas sobre a sua história. Com a tranquilidade e segurança que os pais expressam, a criança percebe que pode não só fazer perguntas, mas compartilhar seu sofrimento e seus anseios, o que torna sua experiência mais leve. Se ao contrário, as perguntas que a criança faz sobre a sua história de vida despertam ansiedade, insegurança ou angústia nos pais, o espaço na relação para esse diálogo, deixa de existir e a criança fica isolada, sem encontrar apoio para lidar com as emoções que a sua história de vida lhe despertam, o que, com o tempo, pode tornar seu sofrimento cada vez mais intenso.

Assim, quanto mais as experiências anteriores da criança forem reconhecidas e incluídas na relação com seus pais com tranquilidade e quanto mais os pais se apropriarem dos eu desejo de ter um filho e de construir uma família que foi atendido com a adoção, é bem provável que a relação assuma uma posição horizontal, na qual a criança não será vista como devedora, nem será exigido que expresse gratidão. Com isso, a chegada da criança à família pode ser vivida como um encontro entre os pais e seu filho(a),  a partir do qual a mãe, o pai e a criança se transformam e se beneficiam.